sábado, agosto 30

Millôr Fernandes


O cadáver é que é o produto final. Nós somos apenas a matéria prima.

Eu sei sempre do que é que estou falando. Tirando isso não sei mais nada.

Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados.

Arte é intriga.

O otimista não sabe o que o espera.

A Justiça é cega, sua balança desregulada e sua espada sem fio.

Um banqueiro pode escrever falsa literatura. Mas vá um escritor falsificar um cheque.

Tristezas não pagam dívidas. Nem bravatas, por falar nisso.

Idade da razão é quando a gente faz as maiores besteiras sem ficar preocupado.

Como diz o cara absolutamente íntegro apanhado roubando: 
"bem, eu também sou humano."

A diferença fundamental entre Direita e Esquerda é que a Direita acredita cegamente em tudo que lhe ensinaram, e a Esquerda acredita cegamente em tudo que ensina.

Certos estalos em nossos ossos são pra nos lembrar que somos caveiras.

A Academia Brasileira de letras se compõe de trinta e nove membros e um morto rotativo.

O último refúgio do oprimido é a ironia, e nenhum tirano, por mais violento que seja, escapa a ela. O tirano pode evitar uma fotografia, não pode impedir uma caricatura. A mordaça aumenta a mordacidade.

TODO DIA LEIO OS AVISOS FÚNEBRES DOS JORNAIS; ÀS VEZES A GENTE TEM SURPRESAS AGRADABILÍSSIMAS.

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